"Vontade de não saber perdoar, de não ser compreensivo tolerante — de não me contentar com o pouco — amor malfeito, depressa, fazer a barba e partir”.
(Caio Fernando Abreu, carta a Vera Antoun)
"Vontade de não saber perdoar, de não ser compreensivo tolerante — de não me contentar com o pouco — amor malfeito, depressa, fazer a barba e partir”.
(Caio Fernando Abreu, carta a Vera Antoun)
- Pequena, eu tenho medo de errar.
Tenho tanto medo de não ser bom o bastante. Às vezes chego a ter dúvidas se mereço mesmo ser feliz. Já fiz tanta coisa nessa vida, menina. Já feri muito, destruí muitos corações. Perdi muitas pessoas legais por não estar preparado pra elas. E agora tenho medo de fazer o mesmo com você, mesmo sem ter intenção. Logo você, que sempre me amou. Você que sempre esteve ao meu lado e me fez sentir único, como ninguém havia conseguido antes. Logo você, que me amou mais do que deveria, talvez até mesmo mais do que eu merecia. Por isso eu falho tanto, pequena. Tento deixar pra lá porque não me sinto pronto pra sustentar tua vida nas minhas costas, teu amor no meu peito, esse amor que é só meu. Só meu. Porque eu sei que o que você sente é amor. Eu queria ser forte também, pequena. Queria ter coragem e força pra fazer tudo ficar certo, mas não sou assim. Sou um homem de ferro com um coração pulsando forte no peito, amor. E por enquanto, ele dói. Cada batida parece que é a última…
Indira Nóbrega